CAMPANHA INTERNACIONAL CRIANÇA FELIZ

Sandra Inês Feitor, jurista e doutoranda em direito

16 de Outubro de 2013

 

A Campanha Internacional Criança Feliz é um marco muito importante no combate à alienação parental, para a sensibilização e consciencialização da comunidade e das famílias para o superior bem-estar da criança – a criança só poderá ser inteiramente feliz através do convívio com ambos os progenitores.

Por isso, a criança feliz será aquela que pode plenamente desfrutar da convivência de ambos os pais, crescendo e desenvolvendo-se em harmonia e com união familiar, ainda que os pais sejam separados.

A alienação parental é um fenómeno devastador do bem-estar das crianças e adolescentes: corrompe, desestrutura, desestabiliza, causa sofrimento e, leva à orfandade de pai vivo.

E porque se fala em orfandade de pai vivo? Porque o progenitor que aliena o filho, subtrai a este a convivência e contactos com o outro pai, leva-o a crer que o outro pai será perigoso ou que lhe fez mal, instalando medo, desconfiança e rejeição de um pai que até então era afetuoso e extremoso.

Assim, a Campanha Internacional Criança Feliz vem abrir portas à informação, conhecimento, sensibilização e consciencialização para o mal que estas condutas provocam na criança, bem como para a sua importância e combate.

Cada vez mais se fala de alienação parental, mas ainda há um longo caminho a percorrer no entrelaçar de actuações e consciencialização dos vários sectores da comunidade para esta realidade: famílias, escolas, serviço social, psicólogos, mediadores, terapeutas familiares, operadores do direito… A alienação parental é transversal.

A Campanha Internacional Criança Feliz vem expor a importância que a criança tem na comunidade e nas famílias de hoje – tão diferente do papel desempenhado num passado não muito longínquo. A criança feliz é aquela que tem o amor de ambos os pais, que confraterniza com toda a família alargada, que tem harmonia familiar – é plena.

Face à realidade que infelizmente vimos vivendo e assistindo, campanhas como esta são cada vez mais importantes e necessárias – passámos de uma época do pater famílias em que o progenitor pai era o chefe de família tirano e, quando surgiu a possibilidade de divórcio, a mulher figura cuidadora ficava inquestionavelmente com os filhos – para uma realidade em que ambos os progenitores desempenham papeis mais semelhantes na parentalidade, são ambos cuidadores e ambos querem vivenciar a partilha dos afectos.

Passamos a observar hoje disputas e contendas judiciais pela posse dos filhos, não como expressão de afecto, mas como forma de ferir o outro pela dor da separação – trata-se de punir aquele que abandona a relação – transforma-se, assim, o conflito conjugal num conflito parental.

A Campanha Internacional Criança Feliz vem apelar pela não litigância, pela partilha dos afectos, pelo fim do conflito parental, pelo bem-estar das crianças e adolescentes, pelo fim da alienação.

É necessário dinamizar informação sobre a alienação parental para que a comunidade em geral se aperceba do quão erradas e prejudicais são estas condutas. Por isso mesmo, campanhas como a presente são fundamentais para fazer chegar a informação ao maior número de pessoas.