Amor paterno

Hoje não basta o pai prover autoridade e segurança. Os filhos precisam ter um pai presente fisicamente. Que não apenas ajude, mas compartilhe momentos, com dedicação, carinho e proteção. A importância da figura masculina está ligada intimamente à construção da identidade da criança. Por outro lado, a ausência da figura paterna, ou uma relação não saudável, pode gerar insegurança, questionamentos e introspecção, além de dificuldades de adaptação às regras sociais, entre outros complicadores.
Pais que são firmes e presentes demonstram mais amor e incentivam a autonomia, criando filhos mais confiantes. Assim como um tempo de intimidade no final da noite ou antes de sair para o trabalho, por exemplo, é importante para criar vínculo e dar parâmetros de comportamento à criança.
Na casa de Marcos Paulo L. Souza, 34 anos, servidor público federal e fotógrafo, ele e a esposa Laryssa Chaves têm um combinado: desde a gravidez, eles, que não têm familiares na cidade, iriam compartilhar os cuidados do filho Nicolas, hoje com 1 ano e 10 meses. E para facilitar, ele mudou o horário de trabalho e fica com o garotinho na parte da manhã. A rotina diária inclui atividades como tomar sol e brincar no playground do prédio.
Souza conta com a ajuda de uma funcionária, mas faz questão de dar banho, trocar e fazer a lancheira para o garoto ir para a escola. “Faço questão de estar por perto para acompanhar todo o desenvolvimento do meu filho. Acredito que posso fazer a diferença no aprendizado dele, que é muito apegado a mim. E tudo isso flui de forma natural”, afirma. Este contato com o filho, inclusive, fez com que o servidor público se especializasse em fazer fotos profissionais de famílias e bebês nas horas vagas.
Também não há protagonistas e coadjuvantes no lar do empresário Fábio Campos e da vendedora Tatiana Moreira, ambos com 35 anos, quando o assunto é o cuidado com os filhos. Pais dos gêmeos Davi e Bianca, de 5 anos, os dois acreditam na participação ativa do pais para a criação dos filhos.
“Quando preciso trabalhar até mais tarde, é visível que as crianças ficam mais estressadas e sentem falta. Mas quando estou com eles, é muito bom. Brincamos, desenhamos e lemos livros. E, nos finais de semana, faço questão de ser um pai em tempo integral.” “A presença, o afeto, o diálogo e a educação que se dispensa à criança ou o adolescente, assim como a assistência material, escolar e social, contribuem para sua formação como pessoa”, destaca a psicóloga Cristiane Calvo.
Figura paterna
A ausência do pai pode trazer consequências psicológicas à criança. E cada um vive esta ausência de um jeito pessoal. No entanto, uma figura masculina e presente, que desenvolva um vínculo de afinidade com a criança, pode ser um substituto relevante em sua vida. Essas figuras substitutas podem ser avós, tios, padrastos…
No entanto, tem pai que tem dificuldade em ter uma relação mais estreita e afetiva com o filho. Cristiane Calvo, psicóloga, afirma que esse pai deve se movimentar e participar de atividades básicas com regularidade por meio de uma brincadeira, de passeios, de conversas por telefone, de auxílio nas atividades escolares. E quem apresentar algum bloqueio e dificuldade em decorrência de conflitos com a figura do próprio pai pode buscar um terapeuta.
MODELO PARA O FUTURO
O vínculo com o pai servirá de modelo de amor que os filhos desejam receber no futuro. Na primeira infância, o que for transmitido pela família terá repercussões em seus futuros relacionamentos. A família é o primeiro e o mais importante núcleo social, ou seja, é o primeiro grupo com o qual a criança convive, e a partir do qual serão formatadas dinâmicas que poderão se repetir
PAI, O ‘ESTRANHO’
O pai é aquele que vem separar o filho da mãe, permitindo que ele se relacione com o outro. É ele que imprime um novo modo de se relacionar e se posicionar perante o mundo. O pai é o terceiro, que introduz o que é diferente e representa o “outro”, o “estranho”
Fonte: Cristiane Calvo, psicóloga com formação em gestalt-terapia
OS PAIS IMPORTAM?
Pai de cinco filhos, o escritor norte-americano Paul Raeburn lançou um livro em que fala da importância da figura paterna para o desenvolvimento das crianças. Segundo ele, o pai participativo torna o filho mais feliz e um adulto mais sensato e com valores. Em “Do Fathers Matter?” (“Os pais importam?”), o autor diz que bebês podem até nascer prematuramente sem o contato do pai
“Do Fathers Matter?” (“Os pais importam?”, sem edição no Brasil)
Autor: Paul Raeburn
Idioma: Inglês
Páginas: 289
Editora: Farrar Straus & Giro
Fonte: http://www.diariodaregiao.com.br/vidaeestilo/amor-paterno-1.339351.







